Desde que a cetona de framboesa foi tema de um programa do Dr. Oz, este componente ganhou fama mundial. Perguntam-me frequentemente se é eficaz. Até agora a investigação foi apenas realizada em ratos de laboratório e in vitro. Os resultados obtidos destes estudos indicam que estimula a produção de adiponectina, uma proteínas que regula o metabolismo dos lípidos. Contudo, são necessários mais estudos detalhados para identificar o mecanismo da sua actuação. Resultados promissores alcançados em cobaias e in vitro nem sempre significam que tenha o mesmo efeito em humanos. Nada indica que a cetona de framboesa seja eficaz em humanos.
Da próxima vez que tomar um comprimido preste atenção ao que ingere a seguir. A combinação de certos medicamentos com produtos aparentemente inofensivos, como alimentos e plantas medicinais, sob a forma de chás, suplementos ou cosméticos pode ser fatal.
As principais interacções já conhecidas
o sumo de toranja interfere com vários medicamentos usados no tratamento do cancro.
o chá de hipericão interage com a pílula anticonceptiva, podendo anular o seu efeito.
o ginseng interage, entre outros, com o ibuprofeno.
os alimentos ricos em vitamina K (brócolos, espinafres) contrariam o efeitos dos medicamentos anticoagulantes.
o chocolate interage com os inibidores da monoamina oxidase presentes em medicamentos antidepressivos.
a soja, a camomila, o ginkgo, entre outros, interferem com a varfarina (anticoagulante).
É preciso ter em atenção que o mecanismo de interacção enzimática que ocorre entre os medicamentos e as bebidas alcoólicas é semelhante ao que acontece com muitos extractos naturais.
O número de fármacos que podem ter graves efeitos adversos devido à sua interação com a toranja está a aumentar. Contudo, muitos médicos poderão ainda não estar conscientes destes efeitos, revela um estudo publicado no “Canadian Medical Association Journal”.
O investigador do Lawson Health Research Institute, no Reino Unido, acrescentou que entre 2008 e 2012 o número de fármacos que interagiu com a toranja e que poderão causar efeitos adversos graves aumentou de 17 para 43, o que representa, em média, uma taxa de aumento de seis fármacos por ano.
O estudo refere que os efeitos adversos incluem morte súbita, insuficiência renal e respiratória, hemorragia gastrointestinal, supressão da medula óssea nos indivíduos imunodeprimidos, toxicidade renal, entre outros.
Os investigadores revelaram que há mais de 85 fármacos que podem interagir com a toranja e 43 podem ter efeitos secundários graves. Outros citrinos como o marmelo ou a lima também têm compostos ativos, as furanocumarinas. Estes compostos causam interação através da inibição irreversível da enzima CYP3A4 que metaboliza os fármacos e que habitualmente desativa os efeitos de cerca de 50% dos medicamentos.
Os fármacos que interagem com estes produtos químicos apresentam três características: são administrados por via oral, têm uma biodisponibilidade baixa a intermédia e são metabolizados no trato gastrointestinal pela enzima CYP3A4.
O estudo refere ainda que para os fármacos com baixa biodisponibilidade, a ingestão de toranja pode ser o equivalente ao consumo de múltiplas doses de fármaco. Esta interação pode ocorrer mesmo que a toranja seja consumida várias horas antes da toma do fármaco.
Os indivíduos com mais de 45 anos são os que habitualmente consomem mais toranjas e o que tomam mais medicamentos, o que, nestes casos, torna a interação bastante provável de ocorrer. Adicionalmente, os adultos podem apresentar uma menor capacidade de tolerar excessivas concentrações sistémicas de fármacos. Desta forma, os idosos são especialmente vulneráveis a estas interações.
Sobre mim
Sou a Ni, sou nutricionista e este é o meu blog. Aqui partilho a minha paixão pelo fabuloso mundo da nutrição. Dizem que este é o melhor blog sobre nutrição do mundo e arredores!