Dia 4 de fevereiro é o dia mundial da luta contra o cancro
Cerca de 40% dos cancros podem ser potencialmente prevenidos. Junte-se ao movimento contra o cancro divulgando a mensagem “O cancro também pode ser prevenido”!
O cancro é uma das principais causas de morte do mundo. O que tem sido feito não chega para combater este monstro responsável por uma em cada quatro mortes em Portugal. Apostar na prevenção, no diagnóstico precoce e em tornar mais eficientes os recursos existentes são as melhores armas.
• Evite/pare de fumar e acautelar a exposição a ambientes de fumadores; • Mantenha um peso saudável, através de uma alimentação saudável e exercício físico regular; • Modere o consumo de álcool; • Evitar exposição solar excessiva; • Proteger contra infecções que originam cancro
O cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário, sendo mais frequente nas mulheres, mas que também pode atingir os homens.
Segundo vários estudos científicos a dieta pode influenciar o risco de cancro da mama. Admite-se que as dietas hipercalóricas, típicas dos países ocidentais, ricas em gorduras saturadas, açúcares, produtos industrializados e agentes de conservação, aumentam o risco de cancro da mama.
Alimentos ricos em gordura saturada (carnes vermelhas, lacticínios gordos como a manteiga, as natas e os queijos gordos), assim como os alimentos com eles cozinhados (doces, folhados, bolos), estão associados a aumento do risco. Também o consumo elevado de álcool está associado a aumento do risco de neoplasia da mama.
A soja, os cereais, como o trigo, o arroz integral, a cevada, a aveia integral, a cenoura, a cebola, o milho, o feijão, a ervilha, vários frutos, como as cerejas, as maçãs, são alimentos ricos em fitoestrogéneos. A forma de se assegurar a presença de fitoestrogéneos na dieta é tendo uma alimentação rica em fruta e vegetais. Admite-se que a abundância destes produtos nas dietas dos países orientais possa estar relacionada com a baixa incidência do cancro da mama nos mesmos. Contudo, ainda nada está provado.
No entanto, os dados já existentes sobre o risco de cancro da mama associado à terapêutica hormonal de substituição (TSH) levam a que cada vez mais se usem produtos «naturais» contendo fitoestrogéneos na menopausa.
Os agentes antioxidantes como o mineral selénio e as vitaminas A, C e E encontrados em vegetais, frutos e cereais têm efeito protector devido à sua actividade antioxidante, estando envolvidos no controlo da multiplicação celular, do que se depreende a importância que podem ter na carcinogénese, actuando como agentes protectores contra vários tipos de cancros.
Relativamente a bebidas como o café, nunca foi demonstrada qualquer associação entre o seu consumo e o aumento do risco de cancro da mama. No que respeita ao chá preto, de acordo com vários estudos, parece constituir um factor protector, contrariamente ao chá verde em que não foi demonstrada qualquer relação.
Uma alimentação equilibrada, pobre em calorias, evitando as gorduras animais e os alimentos açucarados e, em contrapartida, rica em fibra, com aumento do consumo de cereais, vegetais e frutos, é mais saudável, prevenindo várias doenças, nomeadamente a arteriosclerose e vários tipos de cancros.
Este tipo de alimentação deve iniciar-se durante a gravidez, dado que vai influenciar o desenvolvimento do feto, e é fundamental que prossiga ao longo da infância e adolescência, dado que há indícios de que possam ter maior influência no risco de desenvolver cancro da mama do que as dietas consumidas na idade adulta.
No dia 4 de Fevereiro, data assinalada como World Cancer Day, a Associação Laço em parceria com a Associação Portuguesa dos Nutricionistas lança um E-book comconselhos alimentares para ajudar durante o tratamento do cancro da mama.
Este E-Book é dirigido a pacientes com cancro da mama assim como aos seus familiares e amigos. O seu objectivo é ajudar as mulheres que vão iniciar ou já iniciaram tratamentos de quimioterapia ou radioterapia, de forma a aliviar os possíveis efeitos secundários do tratamento na sua alimentação.
Segundo um estudo desenvolvido no Texas Agrilife Research a manga, apesar de ter um baixo teor antioxidante, pode ajudar a prevenir ou a parar a reprodução de células cancerígenas. Os resultados dos testes in vitro revelaram maior eficácia nos cancros da mama e do cólon, embora também tenha tido efeito no cancro da próstata, do pulmão e leucemia.
Enquanto a investigação avança, aproveite os benefícios deste fruto.
O estudo "Intervenção nutricional individualizada é importante benefício para pacientes com cancro colorretal: acompanhamento de longo prazo de uma experiência controlada de terapia nutricional", desenvolvido por um grupo de investigadoras da Unidade de Nutrição e Metabolismo do Instituto de Medicina Molecular, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, foi o trabalho distinguido na 4.ª edição do prémio.
"Fomos avaliar os doentes que haviam recebido a intervenção nutricional individualizada, com uma dieta prescrita individualmente para cada pessoa, tendo em conta que são todos doentes oncológicos, mas todas as pessoas são diferentes umas das outras" e têm as suas preferências, hábitos e intolerâncias, explicou à agência Lusa a coordenadora da investigação.
Embora o seu trabalho se concentre nos pacientes com cancro colorretal, "daquilo que se verifica do ponto de vista clínico, haverá outros cancros, e há, em que este tipo de intervenção com este tipo de modulação consegue efetivamente ser positivo", acrescentou a investigadora.
Paula Ravasco referiu que a experiência desenvolvida incluiu três grupos, um deles recebeu uma prescrição individualizada em termos dietéticos e educação alimentar para que o doente percebesse quais os alimentos que devia escolher e aqueles a evitar para não ter sintomas desagradáveis decorrentes dos tratamentos de radioterapia, ou para reduzir a sua intensidade.
Num dos outros grupos, os pacientes mantiveram os hábitos alimentares.
"Os doentes que receberam a intervenção nutricional individualizada efetivamente tinham outcomes [resultados] mais positivos e estavam melhor do ponto de vista global da sua qualidade de vida a longo prazo", salientou a investigadora.
O aconselhamento individualizado permitiu resultados positivos na ingestão nutricional e estado nutricional, melhorou a capacidade funcional, levou a uma menor toxicidade devido aos tratamentos e a uma melhor qualidade de vida dos doentes com cancro colerretal.
A especialista em nutrição realçou a importância de conhecer o doente nas suas especificidades orgânicas, os hábitos alimentares e as preferências, nas especificidades psicológicas e de autonomia.
Nos últimos sete anos, Paula Ravasco tem ajudado vários países a integrar a intervenção nutricional individualizada em instituições e hospitais.
Quanto a Portugal, "as coisas vão um pouco mais devagar, mas já existem algumas instituições que o fazem", referiu a investigadora, apontando os exemplos do IPO do Porto ou do Hospital de Santa Maria.
O prémio Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa MSD em Epidemiologia Clínica, "mais do que o balão de oxigénio" para o trabalho de Paula Ravasco, vai permitir desenvolver os estudo iniciados em 2001 e "obter mais certezas em termos de diagnósticos e de intervenção".
"Estão demonstradas as variáveis clínicas que melhoram com esta intervenção, agora precisamos perceber porque melhoram os outcomes, assim conseguimos provavelmente amplificar ainda mais esses resultados, que já são tão positivos", resumiu.
Uma dieta equilibrada, a prática de actividade física, manter um peso adequado e evitar o consumo de tabaco, são algumas das medidas preventivas de muitos casos de cancro, doença que é a principal causa de morte na Região Europeia da Organização Mundial de Saúde, a seguir às doenças do sistema circulatório.
Estudos científicos referem que 20% da mortalidade se deve a doenças oncológicas, que 2,5 milhões de novos casos são diagnosticados a cada ano e que cerca de 30% dos casos de cancro estão relacionados com hábitos alimentares desiquilibrados.
Efectivamente, nos últimos 20 anos, estudos científicos têm demonstrado que o excesso de peso e a obesidade estão associados ao aumento do risco de cancro do colo do útero, da mama, do colon, do esófago, do rim, entre outros. Estudos realizados indicam, por exemplo, que 20% das pessoas que têm hábitos de consumo de fruta reduzidos têm maior probabilidade (20%) de contrair cancro do pulmão e que a diminuição do consumo de sal e de alimentos em conserva de sal podem reduzir a incidência de cancro do estômago.
Este panorama é confirmado pelo Centro de Investigação Europeu sobre Cancro e Nutrição (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition - EPIC), que avaliou o impacto da malnutrição em vários tipos de cancro, através da relação existente entre várias variáveis (dieta, estado nutricional, estilo de vida e factores ambientais) e a incidência de cancro e outras doenças crónicas, através de um estudo realizado a 520 000 pessoas, com idades compreendidas entre os 50-64, oriundas 10 países Europeus.
De acordo com uma das conclusões, o risco de excesso de peso pode ser determinante para a saúde do indivíduo, pois à medida que o índice da massa corporal dos inquiridos aumentava 5kg/m2, a mortalidade de cancro subia 10%.
Existem, pois, recomendações que podem ajudar a reduzir o risco de cancro, designadamente:
• Desenvolver hábitos alimentares saudáveis desde a infância.
• Manter o peso ideal ao longo da vida, equilibrando o consumo de energia com o seu gasto, evitando o excesso de peso e a obesidade.
• Adoptar um estilo de vida activo (realizar 150 minutos de actividade física pode reduzir o risco de cancro da mama e do colon, de acordo com o Global Recommendations on Physical Activity for Health, da Organização Mundial de Saúde).
• Privilegiar uma dieta equilibrada.
• Comer cinco ou mais porções de fruta e de legumes todos os dias.
• Privilegiar cereais integrais em detrimento de cereais refinados.
• Limitar o consumo de carnes vermelhas e processadas.
• Evitar ou consumir moderadamente bebidas alcoólicas (no caso das mulheres, não mais do que uma bebida por dia, e no caso dos homens, não mais do que duas bebidas por dia).
• Combater deficiências nutricionais, incluindo suplementos na dieta capazes de reforçar o sistema imunológico.
Em suma, ter saúde e beneficiar de qualidade de vida pode estar ao alcance de todos, uma vez que a adopção de práticas e de cuidados diários ao nível da alimentação, da actividade física, do álcool e do tabaco, podem, de facto, inibir de forma muito eficaz o desenvolvimento do cancro.
Cerca de 40% dos cancros podem ser potencialmente prevenidos. Junte-se ao movimento contra o Cancro divulgando a mensagem “O cancro também pode ser prevenido”!
O cancro é uma das principais causas de morte do mundo. O que tem sido feito não chega para combater este monstro responsável por uma em cada quatro mortes em Portugal. Apostar na prevenção, no diagnóstico precoce e em tornar mais eficientes os recursos existentes são as melhores armas.
• Evite/pare de fumar e acautelar a exposição a ambientes de fumadores; • Mantenha um peso saudável, através de uma alimentação saudável e exercício físico regular; • Modere o consumo de álcool; • Evitar exposição solar excessiva; • Proteger contra infecções que originam cancro
Sobre mim
Sou a Ni, sou nutricionista e este é o meu blog. Aqui partilho a minha paixão pelo fabuloso mundo da nutrição. Dizem que este é o melhor blog sobre nutrição do mundo e arredores!